O Museu Judaico de São Paulo convida você para Canção Violão, um mergulho de Arthur Nestrovski no universo da canção brasileira.
Acompanhado de João Camarero, Paula Morelenbaum, Ayrton Montarroyos e Celsim, Nestrovski apresenta uma série de “aulas-shows” intimistas, com interpretações ao violão e conversas sobre alguns dos mais importantes compositores do nosso país: Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell e Lupicínio Rodrigues.
A programação é gratuita. Retire seus ingressos no link na bio.
Recomendamos chegar com antecedência; não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
programação
Aula-show 1 | 06.06, sexta-feira, 20h
Vinicius Sem Palavras
Com Arthur Nestrovski e João Camarero, violões
As palavras são uma glória do nosso cancioneiro. A tal ponto que, em muitos casos, chegam a obscurecer a música. Reunindo tanto peças solo como duos de violão, em arranjos inéditos, o repertório deste show recolhe um acervo de canções “reveladas”, reviradas de dentro para fora, por assim dizer, em versões instrumentais. As palavras, agora, ficam só na memória de quem ouve – amparada por conversas sobre o contexto e sentido dessas obras-primas, de compositores como Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Garoto, Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque e Edu Lobo.
Em Vinicius Sem Palavras, o grande poeta da música popular brasileira serve de curador musical, definindo o repertório com o instinto certeiro de quem foi parceiro de todos os nomes citados acima, entre outros – sem falar nas próprias composições, com alguns clássicos do nosso cancioneiro, como “Valsa de Eurídice” e “Serenata do Adeus”.
Tudo isso interpretado por dois dos maiores nomes do violão brasileiro, tocando juntos com entendimento raro.
Aula-show 2 | 07.06, sábado, 18h
Jobim Canção
com Paula Morelenbaum, voz
Arthur Nestrovski, violão
No âmbito dos 30 anos de morte de Tom Jobim e também na esteira das extraordinárias videoaulas que fizeram ao longo de 2024 para revista Piauí, Paula Morelenbaum e Arthur Nestrovski lançaram um novo disco, pelo selo Biscoito Fino. Nada mais natural, para a cantora que integrou a Nova Banda de Jobim por uma década e é reconhecida internacionalmente como uma das maiores intérpretes deste repertório. E também para o solista de Jobim Violão, disco que é uma referência para violonistas e jobinianos.
Traçando um arco de cinco décadas, Jobim Canção reúne um acervo mínimo – 10 canções –, mas representativo da carreira do compositor Antonio Carlos Jobim (1927-94). Elas formam também a base do repertório deste show, que abre espaço, no entanto, para outras maravilhas, como “Águas de Março” e “Boto”.
Dos anos 1960, vêm “Wave” (letra e música de Tom Jobim) e uma das primeiras parcerias de Tom com Chico Buarque, “Pois É”, aqui novamente com a letra original de Chico – alterada, não se sabe por quê, nem por quem, na famosa gravação do disco Elis e Tom e, de lá para cá, por todo mundo.
A canção ecológica “Passarim” (1987) defende uma causa da qual Tom Jobim foi pioneiro. E o irresistível samba “Piano na Mangueira”(1991), de Tom e Chico, estava no último disco lançado em vida pelo “maestro soberano”.
Algumas dessas músicas Paula já tinha gravado com Tom, quando integrava a Nova Banda. Mas nenhuma em sua própria discografia. Ganham identidade nova nesse ambiente violonístico, flutuando um pouco acima do chão. Trinta anos depois de sua morte, podemos aqui honrar a arte brasileira de Jobim; honrar, também, depois dele e com ele, a vida brasileira que nos cabe.
Aula-show 3 | 14.06, sábado, 18h
Duende – A música de Baden Powell
Com Ayrton Montarroyos, voz
Arthur Nestrovski e João Camarero, violões
Baden Powell (1937-2000) é um deus do violão; até por isso, menos conhecido como compositor. Mas a força de sua imaginação, 25 anos depois de sua morte, só faz aumentar. Não são só os afro-sambas, parcerias com Vinicius de Moraes no início da década de 1960, que teriam enorme impacto para mais de uma geração; mas outros tantos sambas e valsas e choros. O acervo musical de Baden soma cerca de 200 canções e peças instrumentais, num conjunto de enorme originalidade e contundência.
Neste espetáculo, vamos ouvir desde afro-sambas clássicos, como “Berimbau” e “Consolação”, até versões instrumentais de “Violão Vadio” e “Astronauta”, passando por memoráveis parcerias com Paulo César Pinheiro, como “Última Forma” e “Lapinha”, e também algumas peças de outros autores, como o samba-canção “Molambo”, de Jayme Florence, o Meira, que foi professor de violão de Baden, e “Samba do Avião”, de Tom Jobim, cuja introdução foi criada por Baden, de improviso.
Isso tudo na voz de Ayrton Montarroyos, um dos nomes de maior destaque da nossa nova geração, e nos violões de Arthur Nestrovski e João Camarero – Camarero que acaba de lançar o EP Baden (Borandá, 2025), recriando cinco composições para violão solo. Era Vinicius quem falava de Baden como “duende da floresta afro-brasileira de sons”. Neste espetáculo, teremos ocasião para descobrir ou redescobrir o universo do duende, um dos maiores nomes da música popular brasileira, em novos arranjos inéditos.
Aula-show 4 | 15.06, domingo, 17h
A hora do lobo – Lupicínio e outros trágicos
Com Celsim, voz
Arthur Nestrovski e João Camarero, violões
“Lupicínio é nosso Shakespeare”, dizia Zé Celso Martinez Corrêa. Cinquenta anos depois de sua morte, a obra de Lupicínio (1914-74) está consagrada em gravações e regravações, e na memória de todos nós. Canções como “Nervos de Aço”, “Volta” e “Nunca” são exemplos supremos do “outro lado” do samba: a música trágica, o repertório lunar, que contrabalança as alegrias e a festa. Canções da hora do lobo: entre a noite e a madrugada, quando vêm as maiores angústias e os piores pesadelos.
Neste espetáculo, lado a lado com uma dezena de clássicos do compositor gaúcho, vamos ouvir também obras-primas de autores como Cartola, Nelson Cavaquinho, Batatinha e mesmo a dupla Tom Jobim-Vinicius de Moraes, com um esquecido samba-canção pré bossa nova. Há espaço ainda para cancionistas mais novos, como Paulinho da Viola e Zé Miguel Wisnik.
Tudo isso no predestinado metal da voz de Celsim, acompanhada por dois dos maiores violonistas brasileiros, João Camarero e Arthur Nestrovski. Um e outro já tinham tocado e gravado com Celsim; mas só agora estreia o trio, recriando em formato inédito os inigualáveis roteiros humanos de Lupicínio e outros trágicos.