5º Festival Literário
Museu Judaico SP
Uma palavra pode valer mais que mil imagens?
A tensão entre palavra e imagem parece ser constitutiva da tradição judaica.
A palavra possui um lugar central na experiência cotidiana de muitos judeus. Por meio dela, realizam-se preces e bênçãos, transmitem-se ensinamentos e preservam-se memórias. Além disso, falar não é uma ação neutra: as palavras criam vínculos, geram responsabilidades e deixam marcas que nem sempre podem ser desfeitas. Por isso, a tradição judaica atribui grande importância à ética da linguagem. A maledicência (lashon hará) é considerada uma das mais graves transgressões, tida como capaz de corroer as bases da convivência coletiva.
As imagens, por sua vez, ocupam um lugar mais ambíguo. A adoração de ídolos é proibida, o que acabou moldando até a relação, por vezes reticente, do judaísmo com as artes visuais. Porém, as imagens não deixam de estar presentes em âmbitos tão distintos quanto as ilustrações das Hagadot (livros que narram a história de Pessach), a arquitetura das sinagogas e até o desenho das letras hebraicas.
Também pensamos por meio delas. Carregamos imagens mentais de pessoas, povos, lugares e culturas. E se imagens e palavras nos ajudam a compreender o mundo, também podem reduzi-lo a estereótipos, simplificações e certezas apressadas. O preconceito parece ser justamente isso: um imaginário construído antes do encontro, uma representação formulada antes da escuta.
Em uma época marcada pela circulação incessante de imagens e pela erosão das linguagens comuns capazes de lhes atribuir sentido, o desafio não está apenas em selecionar aquilo que merece nossa atenção, mas também em compreender os significados que construímos a partir do que vemos. Por meio de perguntas, encontros e diálogos, é esse o território que o 5º Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo convida o público a explorar.
Museu Judaico de São Paulo
programação
MESAS FliMUJ 2026 | Uma palavra pode valer mais que mil imagens?
Todas as mesas contam com intérprete em Libras.
Mesa 1 | 14.10, quarta-feira, 19h
Abertura
Como judeus incrédulos retornam ao judaísmo?
com Sarah Hurwitz
mediação de Roberto Simon
Sarah Hurwitz era uma judia afastada da religião quando, por impulso, participou de uma aula introdutória ao judaísmo e ficou maravilhada com o que descobriu: belos rituais, orientações úteis para viver uma vida ética e concepções de Deus que iam muito além da imagem de um homem barbudo e crítico que vive no céu. Como poderia haver um abismo tão grande entre a riqueza do judaísmo e a maneira como tantos judeus e judias o compreendem e vivenciam? Como explicar que uma tradição milenar, marcada por reflexões sobre ética, comunidade, justiça e espiritualidade, seja frequentemente reduzida a estereótipos, obrigações e lembranças pouco inspiradoras da infância? Na mesa de abertura do Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo, a autora norte-americana Sarah Hurwitz, que foi redatora de discursos para Barack Obama, Michelle Obama e Hillary Clinton, compartilha as descobertas que transformaram sua relação com o judaísmo e reflete sobre as razões que levam tantos judeus e judias a rejeitarem essa herança.
Sarah Hurwitz é autora de As a Jew, best-seller do The New York Times e vencedor do Natan Notable Book Award e do National Jewish Book Award; e de Here All Along, finalista de dois prêmios de literatura judaica. Foi redatora de discursos para Hillary Clinton, em 2008, e na Casa Branca, para Barack e Michelle Obama, entre 2009 e 2017. Graduada por Harvard, atua também como capelã voluntária.
Roberto Simon é jornalista, escritor e analista internacional, com passagem por instituições financeiras, consultorias e think tanks dos Estados Unidos. Foi repórter de política internacional do jornal O Estado de S. Paulo, colunista da Folha de S.Paulo e da Americas Quarterly. É autor de O Brasil contra a democracia e mestre em políticas públicas pela Harvard Kennedy School.
Mesa 2 | 15.10, quinta-feira, 15h
O que o hebraico tem a ver com o iorubá?
com Rachel Reichhardt e Rodney William
mediação de Dalia Schneider
Muito mais do que um mero vocabulário, as línguas carregam histórias e modos de compreender o mundo, estabelecendo vínculos entre gerações. No judaísmo, cada letra da Torá possui forma, significado e regras rigorosas de transmissão, fazendo da escrita um privilegiado espaço de encontro com o sagrado. Já nas culturas de matriz africana, narrativas, cantos e ensinamentos em iorubá perpetuam saberes ancestrais e modos de relação com o divino. Nesta mesa, a soferet Rachel Reichhardt, primeira mulher brasileira a escrever uma Torá, e o babalorixá, antropólogo e escritor Rodney William, líder da casa de candomblé Ilê Oba Ketu Axé Omi Nlá, colocam em diálogo elementos das culturas judaica e afro-brasileira, refletindo sobre os diferentes caminhos pelos quais comunidades constroem, interpretam e mantêm vivas suas tradições.
Rachel Reichhardt é soferet, escriba de pergaminhos sagrados judaicos, e a primeira e única mulher a exercer o ofício na América Latina. Formada em comunicação visual pela FAAP, estudou hebraico na USP e educação judaica em Jerusalém. Após mais de 10 anos de formação internacional, recebeu o certificado do Seminário Rabínico Latino-Americano Marshall T. Meyer. Participou do Women’s Torah Project.
Rodney William Eugênio, ou Pai Rodney de Oxóssi, é babalorixá e antropólogo. Doutor em ciências sociais pela PUC-SP, é colunista da Carta Capital e autor de obras como A bênção aos mais velhos e Apropriação cultural (traduzido ao francês). Em 2019, foi escolhido pelo MIPAD/ONU como uma das pessoas negras mais influentes do mundo. Atualmente, é também pós-doutorando na Faculdade de Medicina da USP.
Dalia Schneider é formada em Direito pela PUC-SP e pós-graduada em Pedagogia Waldorf pela Faculdade Rudolf Steiner. Trabalha com educação judaica há quase duas décadas e, atualmente, é uma das coordenadoras do Departamento de Ensino da Comunidade Shalom – Sinagoga Masorti São Paulo. Também atua como consultora do Museu Judaico de São Paulo.
Mesa 3 | 15.10, quinta-feira, 17h
Quem pode acertar as contas com o passado?
com Marcelo D’Salete e Nora Krug
mediação de Gabriela Franco
O passado pode ser superado? Quanto tempo é necessário para elaborar traumas coletivos como a escravidão e a Shoá? E o que significa virar a página? A autora e ilustradora alemã Nora Krug nasceu décadas após a queda de Hitler, mas cresceu sob a sombra de uma história que parecia ao mesmo tempo presente e silenciada. Em busca de respostas sobre o envolvimento de sua própria família com o nazismo, mergulhou em arquivos, documentos e memórias esquecidas, transformando essa investigação no livro Heimat, que trata das relações entre culpa e identidade. Já o quadrinista brasileiro Marcelo D’Salete tem dedicado sua trajetória a reconstruir histórias frequentemente apagadas da experiência negra no país, trazendo à luz personagens, territórios e formas de resistência deixados à margem na narrativa oficial. Nesta mesa, dois autores que transitam entre imagem e palavra refletem sobre os desafios de representar passados traumáticos e discutem como a memória pode se tornar um instrumento de compreensão, reparação e transformação.
Esta mesa tem o apoio do Goethe-Institut.
Marcelo D’Salete é quadrinista, ilustrador, professor e mestre em artes plásticas. É autor de Cumbe, Angola Janga, Mukanda Tiodora e Luanda no terreiro, entre outros. Foi agraciado pelos prêmios nacionais Jabuti, HQMix e Grampo, e pelo Eisner (EUA) e Rudolph Dirks (Alemanha). Participou de exposições no Brasil e no exterior, em países como Angola, Moçambique, Portugal, Estados Unidos e Espanha.
Nora Krug é autora e artista, com obras publicadas em 21 países. Seu trabalho combina ilustração, memória e narrativa visual. Seu livro Heimat recebeu o National Book Critics Circle Award em 2018, e Diários da guerra foi incluído entre os Livros Alemães Mais Bonitos de 2024. É mestre em Illustration as a Visual Essay pela School of Visual Arts e professora na Parsons School of Design, em Nova York.
Gabriela Franco é jornalista com 25 anos de atuação em cultura e entretenimento, em veículos como MTV, HBO, Omelete, Folha de S.Paulo e revista Mundo dos Super-Heróis (premiada pelo HQMIX). Formada em jornalismo, cinema e filosofia, tem especialização em cultura pop e quadrinhos pelo Smithsonian Institute. Criou o MinasNerds, portal focado em mulheres produtoras e consumidoras de cultura pop.
Mesa 4 | 15.10, quinta-feira, 19h
O que faremos com tantos anos de vida?
com Alexandre da Silva e Sharon Sanz Simon
mediação de Micheline Alves
Em um mundo no qual as pessoas vivem cada vez mais, torna-se urgente repensar não apenas a saúde, mas também os modos de convivência, participação social e pertencimento intergeracional. Nesta mesa, Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, e Sharon Sanz Simon, pesquisadora das relações entre cérebro, emoção e envelhecimento, refletem sobre os impactos individuais e coletivos da longevidade. Entre descobertas da neurociência, transformações demográficas e debates sobre cidadania, os convidados discutem os significados de viver mais e melhor.
Alexandre da Silva é Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania desde 2023 e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI). Doutor em Saúde Pública, fisioterapeuta e especialista em gerontologia, trabalha com atenção à pessoa idosa há 30 anos. Prioriza o enfrentamento ao idadismo e suas intersecções com racismo, machismo, capacitismo e lgbtfobia.
Sharon Sanz Simon é psicóloga clínica, neurocientista, professora na Rutgers (EUA), onde dirige o EngAGING lab, e pesquisa fatores para o envelhecimento saudável. É doutora pela Faculdade de Medicina da USP, foi fellow em Harvard e fez pós-doutorado na Universidade Columbia. Recentemente se dedica também à divulgação científica e combate à desinformação. Em 2026 lançou o livro Longevidade Hoje pela editora Fósforo.
Micheline Alves é jornalista e roteirista de TV. Trabalhou por vinte anos em publicações impressas e projetos digitais e foi diretora das revistas Trip e Tpm. Pesquisadora e roteirista na TV Globo desde 2015, foi da equipe do programa Amor e Sexo e hoje é redatora do talk show Conversa com Bial.
Mesa 5 | 16.10, sexta-feira, 15h
O que você faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã?
com Bruna Waitman e Oscar Nakasato
mediação de Bianca Mantovani
Quando começa a velhice? Ao se aposentar? Ao perder alguém que amamos? Quando a memória começa a falhar? Ou quando os outros passam a nos enxergar apenas por meio das limitações da idade? Em seus romances, Bruna Waitman e Oscar Nakasato apresentam personagens que se veem obrigados a reinventar a própria vida diante das mudanças trazidas pelo envelhecimento. Enquanto Malca, às vésperas dos noventa anos, busca reafirmar sua autonomia após a morte do marido, Satoshi enfrenta a aposentadoria compulsória, o avanço do Alzheimer da esposa e a solidão que acompanha esse novo momento. Nesta mesa, os autores refletem sobre relações familiares e os diferentes lugares reservados aos mais velhos na sociedade, mostrando que a velhice está longe de ser apenas um desfecho e pode também representar uma oportunidade de transformação.
Bruna Waitman é escritora. Sua escrita deu origem a Malca, seu primeiro romance, elaborado a partir de um percurso de formação e da prática literária. Formada em administração pública pela FGV, atua no campo da educação e concluiu a pós-graduação em formação de escritores no Instituto Vera Cruz.
Oscar Nakasato é professor universitário e escritor. Em 2010, publicou sua tese de doutorado Imagens da integração e da dualidade: personagens nipo-brasileiros na ficção. Seu romance de estreia, Nihonjin (vencedor do prêmio Jabuti em 2012), foi publicado no México, Japão e Chile, e adaptado para o cinema no longa de animação Eu e meu avô nihonjin. É também autor dos romances Dois e Ojiichan.
Bianca Mantovani é curadora, pesquisadora e gestora cultural. Mestra em Letras pela USP, tem especialização em Estudos Brasileiros pela FESPSP e extensão na FLACSO, Argentina. Atuou em instituições como BMA, MCB e IMS, além de ter curado a FLIM, em São José dos Campos, entre 2023 e 2025. Coordena a programação cultural do Museu Judaico de São Paulo e é cocuradora da Feira do Livro da Rocha.
Mesa 6 | 16.10, sexta-feira, 17h
Há limites para um amor de mãe?
com Giovana Madalosso e Hila Blum
mediação de Luara Calvi Anic
Até onde vai o amor? Quando o cuidado se transforma em excesso de zelo? E o que acontece quando o desejo de cuidar ameaça a autonomia daqueles que amamos? Em seus romances, a israelense Hila Blum e a brasileira Giovana Madalosso apresentam personagens que tentam construir relações de afeto em meio às próprias fragilidades. Enquanto Blum acompanha uma mãe que busca compreender as razões do rompimento com a filha, Madalosso escreve sobre uma mulher movida por um desejo tão intenso de maternidade que a fronteira entre amor e posse se torna cada vez mais incerta. Nesta mesa, as autoras refletem sobre os delicados limites entre proteção e liberdade, mostrando como os vínculos mais profundos podem ser também os mais difíceis de compreender.
Esta mesa tem o apoio do Instituto Brasil-Israel.
Giovana Madalosso é autora de A teta racional, Tudo pode ser roubado, eleito melhor romance pelo prêmio Manuel de Boaventura, e Suíte Tóquio, publicado em diversos países, adaptado para o cinema e indicado ao Dublin Literary Award. Também escreveu Batida só e Altos e baixos. É colunista da Folha de S.Paulo e uma das idealizadoras do movimento Um Grande Dia para as Escritoras.
Hila Blum é romancista e editora literária. Nascida e criada em Jerusalém, é autora dos best-sellers The Visit, finalista do prêmio Sapir em 2012, e Como amar uma filha, vencedor do prêmio Sapir de 2021 e traduzido para diversos idiomas. Editora literária há quase três décadas, também ministra workshops de escrita de ficção.
Luara Calvi Anic é jornalista, editora-chefe da revista Gama, onde coapresenta o Podcast da Semana. Tem mestrado em ciências da comunicação pela ECA-USP e, ao longo de sua carreira, trabalhou em diferentes títulos da Editora Abril.
Mesa 7 | 17.10, sábado, 11h
Quando uma imagem se torna preconceito?
com Karl Schurster e Juliano Spyer
mediação de Anita Efraim
Os judeus representam uma parcela ínfima da população brasileira. Já os evangélicos experimentaram um crescimento vertiginoso nas últimas décadas e hoje são quase 30% da população do país. Apesar das diferenças históricas, sociais e demográficas, ambas as comunidades frequentemente são retratadas por meio de imagens simplificadoras. Afinal, o que faz com que grupos inteiros e diversos passem a ser definidos por estereótipos? Como determinadas representações moldam nossa percepção do outro? Nesta mesa, o historiador Karl Schurster e o antropólogo Juliano Spyer refletem sobre os modos pelos quais judeus e evangélicos são vistos no imaginário brasileiro. A partir de discussões sobre antissemitismo, religião, identidade e vida pública, os autores investigam como preconceitos são construídos e reproduzidos, enfatizando a importância de enxergar pessoas e comunidades para além das caricaturas.
Karl Schurster é historiador, professor e escritor. Doutor em História Comparada pela UFRJ, é docente na UPE e na UFPE, pesquisador do CNPq e assessor do Instituto Brasil-Israel. Estuda temas como Holocausto e antissemitismo. É autor de livros como O antissemitismo prático, e organizador de Atlântico: A história de um oceano, prêmio Jabuti em Ciências Humanas em 2014. Foi bolsista no Yad Vashem.
Juliano Spyer é mestre e doutor pelo Departamento de Antropologia da University College London (UCL), onde foi orientado pelo antropólogo britânico Daniel Miller. É colunista da Folha de S.Paulo, abordando temas como religião, classes populares, tecnologia e sociedade, com textos que desafiam estereótipos e revelam a complexidade dos fenômenos contemporâneos.
Anita Efraim é jornalista e mestre em Comunicação Política pela Universidad de Chile. É colaboradora do Instituto Brasil-Israel, apresentadora do podcast “E eu com isso?” e comentarista de futebol no Canal GOAT.
Mesa 8 | 17.10, sábado, 15h
Como encontrar a palavra certa para falar com um estranho?
com Bernardo Ajzenberg e Valérie Zenatti
mediação de Gabriela Longman
Traduzir não significa apenas encontrar termos equivalentes entre idiomas diferentes. Muitas vezes, exige compreender experiências, emoções e visões de mundo que parecem resistir à linguagem. Mas o que acontece quando tentamos estabelecer contato com alguém cuja experiência parece radicalmente distinta da nossa? Em suas obras de ficção, Bernardo Ajzenberg e Valérie Zenatti acompanham personagens que tentam atravessar distâncias afetivas, culturais, existenciais e políticas em busca de diálogo e compreensão. Enquanto Zenatti imagina uma improvável troca de cartas entre uma adolescente israelense e um jovem palestino, Ajzenberg explora personagens confrontados com suas próprias inquietações, memórias e desejos. Escritores que são também tradutores, ambos conhecem os desafios de transpor ideias, emoções e imagens de uma língua para outra. Nesta mesa, os autores refletem sobre literatura, tradução e alteridade, discutindo como palavras podem criar pontes entre pessoas, culturas e experiências que à primeira vista parecem inconciliáveis.
Bernardo Ajzenberg é escritor, tradutor, editor, livreiro e jornalista. É autor de onze livros, como A gaiola de Faraday, vencedor do prêmio de Ficção do Ano da ABL, em 2003, e Minha vida sem banho, prêmio Casa de Las Américas de 2014. Traduziu mais de cinquenta obras, recebendo o Jabuti por Purgatório, de Tomás Eloy Martinez, em 2010. É sócio-fundador da editora Seja Breve e do Sebo Tucambira.
Valérie Zenatti nasceu na França e passou a adolescência em Israel. Jornalista e professora de hebraico, dedica-se à escrita e às traduções, principalmente da obra de Aharon Appelfeld. É autora de Uma garrafa no mar de Gaza, que recebeu diversos prêmios e foi traduzido para dezoito países. Ela participa regularmente de atividades em instituições de ensino, bibliotecas, hospitais e prisões.
Gabriela Longman é curadora, editora e jornalista. É mestre em História da Cultura pela EHESS-Paris e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. Foi repórter da Folha de S.Paulo e desenvolveu projetos para instituições como Sesc, Flip e Fundação Bienal de São Paulo. É autora de Grafite. Labirintos do olhar e colaboradora da Folha de S.Paulo, Elle e Vogue, entre outros veículos.
Mesa 9 | 17.10, sábado, 17h
Como se tornar um estrangeiro?
com Mariano Horenstein
mediação de Julián Fuks
E se a condição de estrangeiro fosse transformada em uma maneira particular de ver o mundo? O que somos capazes de perceber quando deixamos de tomar como familiar aquilo que acreditávamos conhecer? Em seu novo livro, o psicanalista argentino Mariano Horenstein defende que a verdadeira escuta exige um exercício permanente de deslocamento e estranhamento. Em conversa com Julián Fuks, tradutor da obra, Horenstein enfatiza a importância do encontro com a diferença e reflete sobre como línguas, culturas e geografias distintas transformam o modo como compreendemos a nós mesmos e aos outros.
Mariano Horenstein é psicanalista e ensaísta argentino, membro da FEPAL e ex-representante da América Latina no Conselho da IPA. Foi editor-chefe da Calibán – Revista Latino-Americana de Psicanálise e integra o grupo Geografias da Psicanálise. Autor de O divã e a bússola e Conversa infinita, ministra palestras em universidades e instituições psicanalíticas e culturais na América, Europa e Ásia.
Julián Fuks é escritor e crítico literário, doutor em Teoria Literária pela USP. É autor de Procura do romance, A resistência e A ocupação, livro ganhador dos prêmios Jabuti, Oceanos, Saramago e Anna Seghers. Colunista do portal UOL, tem obras traduzidas para onze idiomas e publicadas em diversos países.
FliMUJinho
FliMUJinho 2026 | E se fosse eu?
Programação para crianças no domingo, 18.10.
FliMUJinho | 18.10, domingo, 11h
O que você faria com um bichinho frágil no seu quarto?
com Julia Rettmann e Mariana Poppovic
Da mala de Julia Rettmann e Mariana Poppovic saem objetos, histórias, bichos e outras surpresas. A partir do encontro com o livro O que a gente vai fazer?, as autoras convidam as crianças a imaginar, conversar, desenhar e experimentar diferentes maneiras de olhar para si e para o outro.
Uma oficina que mistura literatura, desenho e brincadeira para inventar perguntas, preencher espaços e descobrir o que pode acontecer quando a gente se encontra.
Julia Rettmann é arquiteta, mas, em vez de casas e prédios, gosta mesmo é de projetar jardins. Por isso, trabalha cercada de samambaias e outras plantas há mais de dez anos. Mãe e apaixonada por histórias, estreou na literatura infantil com O que a gente vai fazer?, história que nasceu quando um sapo apareceu dentro de uma mala em um apartamento em São Paulo – e continuou reinventada no livro.
Mariana Poppovic é artista visual, ilustradora e designer gráfica. Formada em Design de Moda pela Faculdade Santa Marcelina e mestre em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, expôs em Portugal e no Brasil, teve trabalhos publicados em veículos como Folha de S.Paulo e Caros Amigos. É coautora de um livro infantil e faz ilustrações, identidades visuais e projetos gráficos.
FliMUJinho | 18.10, domingo, 14h
O que você faz assim que acorda de manhã?
com Ilan Brenman
Qual é a primeira coisa que você faz ao abrir os olhos de manhã, depois de uma noite de sono? Sem perceber, alguns rituais nos marcam para a vida inteira e criam laços duradouros. De menino, a mãe o acordava com um copo de leite nas mãos. De adulto, era ele quem cuidava da mãe, já velhinha. Os papéis mudam ao longo do tempo, mas algumas memórias permanecem e nos definem. A mesa trata da relação com o outro a partir de laços de afeto.
Ilan Brenman é um dos mais importantes autores de literatura infantil da atualidade. Psicólogo e doutor em Educação pela USP, é autor de mais de oitenta livros publicados no Brasil e traduzidos para mais de dezoito países. Suas obras receberam importantes distinções, como o prêmio Jabuti e a seleção White Ravens. Ilan também realiza palestras e participa de festivais e encontros internacionais.
FliMUJinho | 18.10, domingo, 16h
Muitas vozes, vários tons: Vamos cantar juntos?
com Hélio Ziskind
Compositor, multi-instrumentista e uma das vozes mais queridas da música infantil brasileira, Hélio Ziskind construiu, desde os anos 1980, um repertório que marcou gerações nos programas da TV Cultura, misturando ritmos populares, humor e muita experimentação. Se o dia começou abrindo a mala dos bichos estranhos para pensar coletivamente sobre alteridade, e terminou perguntando se é possível ser amigo de quem é diferente da gente, Hélio Ziskind encerra o FliMUJinho do jeito mais potente de todos: cantando junto. Sozinho no palco, ele conduz um passeio musical por sua obra, transformando em canção o que as mesas do dia trouxeram à reflexão: o encontro com o outro como festa, não só como desafio.
Hélio Ziskind é compositor, arranjador, multi-instrumentista e produtor musical, formado em Composição pela USP. Cofundou o grupo Rumo em 1974 e tornou-se um dos maiores nomes da música infantil brasileira, criando trilhas para programas da TV Cultura como Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó. Autor do hit “Hora do banho”, venceu o prêmio Sharp com “A noite no castelo” e “Sono de gibi”.
