do Museu Judaico
de São Paulo

A exposição Mulheres no acervo apresenta algumas mulheres de trajetória marcante, que têm sua história preservada no acervo do Museu Judaico de São Paulo

“Alguma coisa das mulheres bíblicas em mim ficou…”

Felícia Leirner

Fazer um recorte em um acervo de documentos pode ser comparável a puxar o fio da meada de um novelo. Escolhas são feitas, deixando algumas coisas para trás. O conjunto de documentos e fotos que compõem o acervo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo – CDM é enorme e permite diversas leituras. Neste momento, revelamos uma parte das histórias femininas que ali encontramos. De papel fundamental perante a lei judaica, é a mulher que transmite a descendência.

A Bíblia hebraica traz personagens femininos fortes e decididos. São mulheres inteligentes e corajosas, assim como as que fazem parte desta exposição: a premiada escultora Felícia Leirner, que tem um conjunto de obras em Campos do Jordão; a pesquisadora Frieda Wolff, autora de mais de 40 livros, cujo trabalho aborda a história da comunidade judaica no Brasil; a atriz Daniella Weil Stransky, com carreira no Brasil e Panamá, contada por meio de documentos doados que representam, ainda, a história de sua família; a jornalista Berta Kogan, idealizadora da revista Brasil-Israel, publicada de 1949 a 1992, e a escritora Trudi Landau, que iniciou sua trajetória enviando cartas aos jornais, revelando-se uma bem humorada cronista.

Pela primeira vez, montamos uma exposição que já nasce virtual.

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Casamento de Berta Kogan. Sem data.
Berta Kogan 1 - 9
No Brasil, os pais, ela e seus 11 irmãos foram bem recebidos. Porém, o pai não se adaptou: era um intelectual, apreciava música. Chegou a trabalhar como clientelchik (mascate), porém foi sua mãe que assumiu o sustento da casa. Ainda menina, Berta foi vendedora em uma loja de roupas femininas.
Reunião de senhoras da Wizo com Berta Kogan, em pé à direita. Sem data. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 2 - 9
Berta desempenhou inúmeras tarefas ligadas à comunidade, a exemplo do trabalho assistencial na “Bessaraber Farband”, assim como na Wizo. Segundo ela contava, os imigrantes encontraram nas instituições judaicas auxílio e solidariedade.
Pinchas Steinvaef, Moshe (?), Itzhak Korn e Berta Kogan. Sem data. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 3 - 9
No novo país, sentia-se bem na sociedade brasileira, mas deixou claro o seu ressentimento durante a ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), quando os judeus e os imigrantes foram vítimas de preconceito em função do nacionalismo exacerbado da época.
Berta Kogan cumprimenta o Embaixador de Israel David Shaltiel no Copacabana Palace. Rio de Janeiro, década de 1950. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 4 - 9
Berta sonhava com a criação do Estado de Israel, o que viu ganhar força após a Segunda Guerra Mundial, quando o sionismo cresceu e muitos passaram a lutar pelo Estado do povo judeu.
Capa e carta aos leitores da primeira edição da revista Brasil-Israel. São Paulo, 1949. Coleção Periódicos do CDM.
Berta Kogan 5 - 9
Berta se destacou como uma mulher à frente de seu tempo, idealizando em 1949 a revista Brasil-Israel, com o intuito de “aproximar os dois países e os dois povos”.
Berta Kogan entrega ao presidente de Israel Zalman Shazar, à esq., um número da revista feito em sua homenagem; à dir., Leon Feffer. São Paulo, 1966. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 6 - 9
Impressa por mais de 40 anos, a publicação tinha como missão difundir a realidade cotidiana do Estado de Israel para a sociedade brasileira, valorizando o sionismo.
Comemoração dos 18 anos da revista Brasil-Israel. Berta Kogan ao microfone. 1967. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 7 - 9
Berta foi diretora-superintendente da revista, que tinha uma equipe de redatores e fotógrafos. Seu irmão, o jornalista Samuel Wainer, fundador, editor-chefe e diretor do Jornal Última Hora, deu grande apoio a sua carreira.
Berta Kogan em seu local de trabalho na editora. São Paulo, sem data. Coleção Revista Brasil-Israel.
Berta Kogan 8 - 9
Após mais de três décadas à frente da publicação, e com o falecimento de seu terceiro marido em 1982, as dificuldades começaram a surgir. Diante disso, Berta passou a viver no Lar dos Velhos, atual Residencial Einstein. Ainda assim, a revista prosseguiria por mais dez anos, até 1992.
Edição especial de Pessach da Revista Brasil-Israel. São Paulo, 1992. Coleção Periódicos do CDM.
Berta Kogan 9 - 9
A sua relação com a publicação era tão intensa que, ao doar toda a documentação da revista ao Arquivo Histórico Judaico Brasileiro (atual Centro de Memória do Museu Judaico), disse: “Algo em mim se quebrou”.
jornalismo

Iedenitze, Moldávia, 1912
São Paulo, Brasil, 1997

Berta conta que quando o navio se aproximou da costa brasileira, ela disse: “Era um sonho que vivi, porque desde menina, sonhava com um país que tivesse sol.”

Berta Kogan veio da Bessarábia, atual Moldávia, para o Brasil em 1921, fugindo da perseguição aos judeus. Da travessia que durou três meses, relatou as péssimas condições. Quando o navio se aproximou da costa brasileira, disse: “… sonhava com um país que tivesse sol”. Aos poucos, ela e sua família se integraram ao novo lar. Ainda que recorde de ataques de xenofobia sofridos durante o Estado Novo: “Estava em uma fila, aguardando um ônibus e, diante da demora, ouvi: É culpa dos judeus, que ocuparam Copacabana”. Após a Segunda Guerra e com a criação do Estado de Israel, Berta realizou seu maior desejo – a fim de propagar o ideal socialista e sionista – e fundou a histórica revista Brasil-Israel, publicada ao longo de quatro décadas.

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Daniella com seu pai, Rene Weil. São Paulo, 1946. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 1 - 10
Proprietário de uma casa de leilões, seu pai foi um dos sócios fundadores do Cemitério Israelita da Vila Mariana. A família se reunia no Shabat: “Essas reuniões eram cheias de calor humano, um ambiente familiar que, depois que os perdi, nunca mais encontrei. Rezávamos, comíamos uma refeição caprichada e terminávamos a noite sempre ao som do piano”.
Dany Darcel, nome artístico de Daniella Weil na Cia. Vera Nunes, ao lado de Walmor Chagas. São Paulo, 1953. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 2 - 10
Em 1952, entrou para o curso de estudos cinematográficos, organizado pela Prefeitura de São Paulo, para o qual se classificou em primeiro lugar entre 150 candidatos. Foi lá que conheceu Walmor Chagas e Ítalo Rossi, com quem atuou em “Pancada de amor”, peça de Noel Coward.
Daniella Weil no papel de Ninette, “O Mexicano”. 1954. TV CANAL 5.
Daniella Weil Stransky 3 - 10
No início da carreira, usava o nome artístico Dany Darcel. Já formada, começou a se apresentar em teatros e televisão. Nas peças “Precisa-se de um filho” e “Deus lhe pague”, de Joracy Camargo, foi dirigida por Procópio Ferreira.
Programa oficial do Teatro Cultura Artística com mensagem para Daniella Weil. São Paulo, 1954. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 4 - 10
Programa oficial do Teatro Cultura Artística com mensagem da atriz Marly Bueno para Daniella Weil, que nessa época passa a utilizar o seu nome verdadeiro. A artista atuou com Cacilda Becker e Sergio Cardoso na peça “A filha de Iório”, em 1954.
São Paulo, 1957. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 5 - 10
Programa da peça “Antígone”, com atuação de Daniella Weil, no papel de Ismène.
Casamento de Daniella Weil e Geraldo Stransky. Panamá, 1961. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 6 - 10
Em 1961, casou-se com Geraldo Stransky no Panamá, onde teve uma carreira intensa no teatro e na televisão. Quando seu marido faleceu, nos anos 1990, começou a organizar os documentos de sua família, como uma forma de narrar sua história.
Programa da peça “Los Palomos“, com atuação de Daniella Weil Stransky. Panamá, 1985. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 7 - 10
Berta foi diretora-superintendente da revista, que tinha uma equipe de redatores e fotógrafos. Seu irmão, o jornalista Samuel Wainer, fundador, editor-chefe e diretor do Jornal Última Hora, deu grande apoio a sua carreira.
Programa de teatro da peça “Extraña Pareja“, com atuação de Daniella Weil Stransky. Panamá, 1992. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 8 - 10
Daniella e Geraldo Stransky com amigos. Panamá, 1962. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 9 - 10
Daniella colecionou inúmeros registros com o desejo de manter viva a história de sua família.
Daniella Weil Stransky. Áustria, 1962. Fundo Pessoal Família Weil.
Daniella Weil Stransky 10 - 10
teatro

São Paulo, Brasil, 1932

“Eu deixei uma mostra de que eu não passei pela vida sem ter existido.”

Daniella é filha do casal francês Rene Weil e Suzanne Wormser. Quando sua mãe chegou ao Brasil, dava aulas de canto e, anos depois, abriu uma escola de música. A filha, então, se encaminhou para o universo das artes, dedicando-se a cursos de canto e ballet. Mais tarde, frequentou a Escola de Sociologia e Política e também a Escola de Arte Dramática. Formada, contracenou com atores como Walmor Chagas e Ítalo Rossi e foi dirigida por Procópio Ferreira. Com o casamento, foi morar no Panamá, onde reside ainda hoje, consolidando sua carreira de atriz, com mais de 60 peças teatrais.

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Felícia Leirner. Varsóvia, 1923. Imagem retirada do livro “Felícia Leirner: a Arte como Missão”. Frederico Morais. Museu Felícia Leirner, 1991. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 1 - 10
Felícia Leirner veio para o Brasil em 1927 com sua mãe para encontrar o seu marido, Isai Leirner, com quem havia se casado na Polônia. O casal teve três filhos: Nelson, Giselda e Adolfo, nascidos no Brasil.
Felícia Leirner. Estudo em nanquim para a série “Composições”. Imagem retirada do livro “Felícia Leirner: a Arte como Missão”. Frederico Morais. Museu Felícia Leirner, 1991. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 2 - 10
Felícia tornou-se aluna de Yolanda Mohalyi aos 42 anos. Apesar do entusiasmo inicial, logo percebeu que o ateliê de desenho não atendia às suas aspirações. Assim, tomou a decisão de trabalhar com Victor Brecheret, com quem pode definir seu caminho artístico.
Felícia Leirner em seu ateliê. Década de 1950. Imagem retirada do livro “Felícia Leirner: a Arte como Missão”. Frederico Morais. Museu Felícia Leirner, 1991. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 3 - 10
O processo criativo da artista utilizava o barro como “momento inicial da criação”. Segundo ela, esse material “responde às nossas mãos, melhor ainda, à nossa imaginação”.
Felícia Leirner trabalhando em seu ateliê. Década de 1950. Imagem retirada do livro “Felícia Leirner: a Arte como Missão”. Frederico Morais. Museu Felícia Leirner, 1991. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 4 - 10
O bronze foi a matéria-prima de suas primeiras esculturas. Posteriormente, emergem obras de grande porte, construídas com cimento pintado de branco.
Felícia Leirner com cabeça de sua mãe Sheila Aichembaum. Imagem retirada do livro “Felícia Leirner: a Arte como Missão”. Frederico Morais. Museu Felícia Leirner, 1991. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 5 - 10
O tema central de sua obra é a maternidade. Segundo ela, “Alguma coisa das mulheres bíblicas em mim ficou, e eu sinto ainda poder amar e criar, através de tudo que pode germinar”.
Selos comemorativos da X Bienal de São Paulo, estampando escultura de Felícia Leirner. São Paulo, 1969. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 6 - 10
A artista realizou mostras individuais na Galeria das Folhas a partir de 1957 e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo em 1960 e 1961. Também participou do Salão de Arte Moderna de Brasília em 1966. Uma de suas obras, “Os Pássaros”, de 1979, pode ser vista na Praça da Sé, em São Paulo.
Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 7 - 10
Declaração de Pietro Maria Bardi, diretor do MASP, informando a aquisição e doação de escultura de Felícia Leirner para a Tate Gallery. São Paulo, 1962. // Carta de John Rothstein, diretor da Tate Gallery, comunicando o recebimento da escultura de Felícia Leirner doada por Pietro Maria Bardi à galeria. Londres, 1963.
Convite e programação do coquetel de abertura da XXVIII Bienal de Veneza. Veneza, 1966. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 8 - 10
Com tiragens em bronze, registra-se a presença de suas obras no MASP – Museu de Arte de São Paulo, no Museu de Arte Moderna de Paris, no Museu de Arte de Roma, na Tate Gallery em Londres, no Museu Royale em Bruxelas, na Modern Gallery em Belgrado e no Museu Hermitage em São Petersburgo.
“Sombra”. Cimento branco armado com ferro. Altura 220 cm, 1982. Coleção Museu Felícia Leirner. Foto: Tadeu Sales.
Felícia Leirner 9 - 10
Reflexão manuscrita por Felícia Leirner. 1995. Coleção pessoal Felícia Leirner.
Felícia Leirner 10 - 10
quando eu era criança o mundo não era / meu, e eu não era do mundo, / eu não dormi eu não acordei, / eu não sonhei. / eu não era tempo não era cor / e nem pensar. Agora com 91 anos / o mundo é meu e eu sou do mundo / eu durmo sonho acordo, sei que / nasci penso, e pergunto / onde está tudo que só amei sofri / e só para perguntar que eu / nasci, ≈≈≈ a não ser na eternidade / e no eterno sonhar sem fim / e sempre morrer morrer
artes plásticas

Varsóvia, Polônia, 1904
São Paulo, Brasil, 1996

“O barro responde às nossas mãos, melhor ainda, à nossa imaginação.”

Com o avanço do antissemitismo na Polônia, Felícia veio para o Brasil em 1927. Em 1948, descobriu a arte como missão de vida, tornando-se aluna de Victor Brecheret, com quem participou de vários projetos, incluindo o Monumento às Bandeiras. Em 1953, a artista se considerava pronta para expor, envolvendo-se intensamente com as Bienais. Em 1963, recebeu o prêmio de melhor escultora do Brasil e, em 1965, mereceu uma sala especial na Bienal. De 1967 a 1973, destacou-se com obras de grande porte. Com a morte do marido, a artista se isolou em Campos de Jordão, cidade que abriga o Museu Felícia Leirner, inaugurado em 1979 e onde estão reunidas 85 de suas obras, distribuídas ao ar livre em uma área de 35 mil metros quadrados.

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Egon e Frieda Wolff. Brasil, 1940. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 1 - 11
Quando Frieda e Egon comunicaram aos pais que tinham decidido se casar e emigrar para o Brasil, diante da gravidade da situação dos judeus na Alemanha, ouviram: “Vocês enlouqueceram? Onde fica o Brasil?”.
Frieda Wolff. Brasil, sem data. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 2 - 11
Pelo fato de não ter conhecido seus avós paternos, nem o pai ter respondido a perguntas sobre as origens da família, Frieda mais tarde escreveu: “Eu, hoje, historiadora e genealogista de outros, não sei nada de minha ascendência”.
Casal Egon e Frieda Wolff. Rio de Janeiro, 1936-1938. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 3 - 11
A atividade de pesquisa histórica do casal teve início com a participação na diretoria de uma sociedade beneficente judaica do Rio de Janeiro, entre 1963 e 1964. Foi aí que começaram a se interessar pelos antecedentes das instituições e da comunidade judaica em períodos remotos no Brasil.
“Judeus no Brasil Imperial: uma pesquisa nos Documentos e Noticiário Carioca da Época”. São Paulo, 1975.
Frieda Wolff 4 - 11
Segundo Frieda, seus livros foram escritos “… com a ideia de servirem de fonte para futuros historiadores e sociólogos, que deveriam usar as fontes que nós tínhamos descoberto e descrito, para estudos aprofundados”.
“Dicionário biográfico”. 6 volumes. Rio de Janeiro, 1986-1990.
Frieda Wolff 5 - 11
A obra de Frieda e Egon Wolff é instigante e inspiradora. Embora Egon tenha falecido em 1981 e Frieda tenha produzido até 2008, ela registrou a presença do marido como coautor dos escritos até o fim.
Sepultura de Regina Libcowitch. Sem data. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 6 - 11
Em seu livro “Sepulturas de Israelitas”, com cinco volumes, retrata a presença judaica por meio de um meticuloso levantamento em cemitérios no país.
“Nossas Três Vidas e Outras Histórias”. Rio de Janeiro, 1999.
Frieda Wolff 7 - 11
Frieda trabalha com histórias conectadas: da cultura, do cotidiano, das estruturas políticas e sociais.
Frieda e Egon Wolff. Rio de Janeiro, sem data. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 8 - 11
Em 1969, o casal deixa a atividade empresarial para se dedicar em tempo integral à pesquisa da história dos judeus no Brasil. Sócios Titulares do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, foram reconhecidos como pesquisadores de Notório Saber.
Frieda Wolff. Brasil, sem data. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 9 - 11
Frieda foi ativa colaboradora e debatedora na imprensa. Com o objetivo de preencher lacunas e desfazer enganos do passado, envolveu-se em polêmicas, de modo a assegurar o que considerava a integridade dos fatos. Segundo ela, a presença judaica no Brasil do século 19 vinha sendo omitida ou vagamente mencionada.
Casal Wolff a bordo do navio Queen Elizabeth. Sem data. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 10 - 11
O trabalho do casal era financiado com recursos próprios. Mas Frieda fazia questão de frisar que seus livros eram produzidos com papel fornecido pela Irmãos Klabin & Cia. Também destacava nunca terem pago pelas publicações. Dizia que, se tivessem que pagar, então a obra não era boa.
Parte dos diários de viagem de Frieda Wolff. Contém relatos, cálculos de gastos e endereços de contatos. 1946-1994. Fundo Pessoal Egon e Frieda Wolff.
Frieda Wolff 11 - 11
O casal fez inúmeras viagens ao exterior e pelo Brasil, cujos relatos foram registrados em diários preservados no Centro de Memória do Museu Judaico.
pesquisa histórica

Berlim, Alemanha, 1911
Rio de Janeiro, Brasil, 2008

“Eu, hoje, historiadora e genealogista de outros, não sei nada de minha ascendência.”

Com o avanço do antissemitismo na Polônia, Felícia veio para o Brasil em 1927. Em 1948, descobriu a arte como missão de vida, tornando-se aluna de Victor Brecheret, com quem participou de vários projetos, incluindo o Monumento às Bandeiras. Em 1953, a artista se considerava pronta para expor, envolvendo-se intensamente com as Bienais. Em 1963, recebeu o prêmio de melhor escultora do Brasil e, em 1965, mereceu uma sala especial na Bienal. De 1967 a 1973, destacou-se com obras de grande porte. Com a morte do marido, a artista se isolou em Campos de Jordão, cidade que abriga o Museu Felícia Leirner, inaugurado em 1979 e onde estão reunidas 85 de suas obras, distribuídas ao ar livre em uma área de 35 mil metros quadrados.

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Albert e Berta Joseph, pais de Trudi Landau. Alemanha, 1938. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 1 - 10
Com a crescente perseguição nazista, sua mãe foi para a Palestina em 1938. No ano seguinte, ela e o pai foram para a Bélgica, onde acabaram presos por terem entrado sem permissão. Depois de soltos, lá ficaram por dois anos, até que seu pai teve de se apresentar à polícia. Para a filha, deixou um bilhete de despedida: “Bleibe brav, dein vater” (“Continue honrada, teu pai”).
Trudi (Joseph) Landau. Alemanha, 1938. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 2 - 10
Com 19 anos, decidiu fazer uma plástica no nariz para suavizar o que considerava “um aspecto muito judaico” de sua fisionomia. “… a operação me salvou a vida, porque eu deixei de ter medo, deixei de me sentir judia, deixei, efetivamente, de ter aparência de judia que, na Alemanha nazista, tinha grande importância …”.
Trudi Landau. Nice, França, 1945. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 3 - 10
Após ser libertada do campo de Gurs (França), foi para Nice onde conheceu Jean Landau, seu futuro marido, também perseguido pelo nazismo.
França, 1944. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 4 - 10
Participação de casamento: “Depois de uma longa e penosa permanência na clandestinidade e graças à Libertação (da França), a Senhorita Trudy Joseph e o Senhor Jean Landau têm o grande prazer de vos comunicar a celebração de seu casamento na mais estrita intimidade na Prefeitura de Le Mas (a.-m.) em 18 de dezembro de 1944.
Texto escrito por Dirceu Soares sobre Trudi Landau. Jornal Folha de S. Paulo, 1977. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 5 - 10
Leitora atenta aos jornais, Trudi passou, a partir de 1973, a enviar cartas às redações para comentar as reportagens publicadas, tornando-se uma “cartamaníaca”.
Trudi Landau e sua cachorrinha Gipsy. São Paulo, sem data. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 6 - 10
Com textos claros e bem-humorados, recebeu um convite para assinar uma coluna no jornal Notícias Populares. Escrevia sobre moda, comportamento e literatura, mas também contra a ditadura. Sua cadelinha Gipsy surgia em suas crônicas como interlocutora de diálogos imaginários.
Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 7 - 10
Trudi foi grande defensora dos direitos humanos e uma voz corajosa ao denunciar arbitrariedades promovidas pelo regime militar. Em carta escrita à seção ‘São Paulo Pergunta’ do Jornal da Tarde de 15/3/1976, afirmou que Vladimir Herzog não foi enterrado na quadra reservada aos suicidas do Cemitério Israelita.
“Vlado Herzog - O que faltava contar”. São Paulo, 1986.
Gertrude Landau 8 - 10
Seu texto, pequeno porém enfático, teve grande repercussão na mídia e emocionou Zora Herzog, mãe de Vladimir. A partir dessa carta, Zora e Trudi iniciaram uma longa amizade, a ponto de a escritora considerar Vlado um afilhado que nunca conheceu. Anos depois, Trudi escreveu o livro “Vlado Herzog – O que faltava contar”.
Trudi com seu amigo Lourenço Diaféria, jornalista e escritor. São Paulo, década de 1970. Coleção Pessoal de Trudi Landau. Doação: Irene G. Freudenheim.
Gertrude Landau 9 - 10
Trudi manteve uma rica correspondência com Lourenço Diaféria (foto), Carlos Drummond de Andrade, Edmilson Caminha e Alberto Dines.
“Carlinhos Querido - A amizade postal entre o poeta Carlos Drummond de Andrade e a escritora Trudi Landau”. São Paulo, 1992.
Gertrude Landau 10 - 10
Com Carlos Drummond de Andrade, manteve contato de 1975 até o falecimento do escritor, em 1987. Dessa amizade, Trudi publicou em 1992 o livro “Carlinhos Querido: A amizade postal entre Carlos Drummond de Andrade e a escritora Trudi Landau”, em que expõe a afinidade com o poeta por meio das cartas que ela escrevia para ele.
crônica

Colônia, Alemanha, 1920
São Paulo, Brasil, 2015

Trudi começava assim as suas quase 500 cartas escritas para Carlos Drummond de Andrade: “Meu querido Carlinhos, …”

Gertrude Landau, Trudi, passou a infância em Opladen, cidade com poucos judeus na Alemanha. Durante a 2ª Guerra Mundial, conheceu Jean Landau, em Nice, com quem casou e veio para o Brasil, grávida, em 1945. Em São Paulo, trabalhou como secretária multilíngue até 1973, quando perdeu seu único filho. Por gostar de escrever, passou a enviar cartas aos jornais e também para escritores com quem mantinha uma “amizade postal”. Entre eles, Carlos Drummond de Andrade, para quem chegou a enviar cerca de 500 cartas, as quais se encontram atualmente no acervo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo. Também foi colunista no Notícias Populares, destacando-se como ativista de direitos humanos, em especial no episódio do assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

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Foto: Jacques. Provavelmente, entre 1940 e 1950. Fundo da OFIDAS.
Instituições 1 - 5
Funcionárias da OFIDAS. Elisa Kaufman Abramovitch (na foto, primeira à direita, com lápis na mão) foi administradora-geral da OFIDAS e diretora da Escola Israelita Brasileira Scholem Aleichem. Além disso, foi também a primeira mulher a ser eleita vereadora na Câmara Municipal de São Paulo, em 1947. Por ser comunista, foi cassada antes de assumir o cargo.
Sem data. Fundo da OFIDAS.
Instituições 2 - 5
Provável representante do Lar das Crianças na sede da Damas Israelitas.
Na parede, as fotografias de Olga Tabacow, Bertha Klabin e Olga Nebel, fundadoras da Sociedade das Damas Israelitas.
1931-1938. Fundo da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas.
Instituições 3 - 5
Livro de Atas das Sessões Ordinárias da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas.
1931-1935. Fundo da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas.
Instituições 4 - 5
Termo de abertura assinado por Bertha Klabin do Livro de Atas das Sessões Ordinárias da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas.
Livro de Atas, 1931 a 1938. Fundo da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas.
Instituições 5 - 5
Lista de plantão da diretoria da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas com os nomes das diretoras designados para cada dia da semana. Rosita Gordon, Anna Gorenstein, Fanny Mindlin, Polly Saslavsky e Riva Berezowsky.

“Nenhum judeu pode festejar as tradições com alegria, sabendo que seu irmão não possui o mínimo para sobreviver.”

Com a chegada dos judeus ao Brasil, foram criadas instituições para auxiliar no processo de sua adaptação.

Sociedade Beneficente das Damas Israelitas [1915] Prestava auxílio na gravidez e no parto e assistência às imigrantes. Em 1931, Berta Klabin, Miná Klabin, Olga Nebel, Olga Tabacow e Regina Bertmann, diretoras da instituição, revezavam-se no atendimento. Ao longo dos anos 1930, Mari Nigri, Bahie Sayeg, Naime Simantob e Badrie Zeitune passaram a auxiliar os necessitados, seguindo o princípio de que “Nenhum judeu pode festejar as tradições com alegria, sabendo que seu irmão não possui o mínimo para sobreviver”. Já na década de 1950, Jamile Derviche, que tinha formação em enfermagem, assumiu a presidência e, por muitos anos, exerceu o trabalho voluntário com o apoio de Linda Nigri, Nazira Adissy, Laura Nigri e Sofia Mansur.

Organização Feminina Israelita de Assistência Social [Ofidas, 1940] A fusão da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas ao Lar da Criança Israelita e à Gota de Leite da Associação B’nai B’rith resultou na Ofidas, para auxiliar mulheres e crianças. A instituição mantinha vínculos com o Serviço Social do Estado e o Juizado de Menores. Em 1976, a Ofidas uniu-se a Ezra e a Linath Hatzedek, formando a Unibes.

Sociedade Beneficente Linat Hatzedek [1919] Realizava atendimentos ambulatoriais e pequenas cirurgias.

Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Talmud Thorá [1933] Visava à educação infantil e aos serviços religiosos.

Lar das Crianças da Congregação Israelita Paulista [1937] Em regime de semi-internato, atendia os filhos de imigrantes judeus.

Organização Feminina Wizo (Women’s Internacional Zionist Organization, 1920) [década de 1930] Integra uma parcela da sociedade à comunidade maior.

Organização das Mulheres Pioneiras – Na’amat [1948] Contribui para valorizar a mulher e preservar as tradições judaico-sionistas.

Voluntariado do Hospital Israelita Albert Einstein [1969] Promove transformação social, geração de conhecimento e humanização.

União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social – Unibes [1976] Junção de Ofidas, Ezra e Policlínicas Linat Hatzedeck, auxilia pessoas em situação de vulnerabilidade.

CENTRO DE MEMÓRIA
DO MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO

 

DIRETORIA EXECUTIVA:
Roberta Sundfeld

GERÊNCIA DO CENTRO DE MEMÓRIA:
Linda Derviche Blaj

CURADORIA:
Beatriz Blay

PESQUISA:
Dora Grynglas, Edith Hojda, Linda Derviche Blaj, Paulete Goldenberg, Pollyana Marin e Rebeca Scherer

EDIÇÃO DE TEXTO:
Yara Guerchenzon

DIGITALIZAÇÃO:
Julia Thompson

DESIGN:
Rima gráfica – Rita Sepulveda de Faria e Marina Zilbersztejn

PROGRAMAÇÃO:
Aline Assis

APOIO:

Todas as fotografias pertencem ao acervo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo, com exceção da foto “Sombra”, pertencente ao Museu Felícia Leirner.