do Museu Judaico
de São Paulo
A exposição Mulheres no acervo apresenta algumas mulheres de trajetória marcante, que têm sua história preservada no acervo do Museu Judaico de São Paulo
Conheça a história
de cada uma delas:
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“Alguma coisa das mulheres bíblicas em mim ficou…”
Felícia Leirner
Fazer um recorte em um acervo de documentos pode ser comparável a puxar o fio da meada de um novelo. Escolhas são feitas, deixando algumas coisas para trás. O conjunto de documentos e fotos que compõem o acervo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo – CDM é enorme e permite diversas leituras. Neste momento, revelamos uma parte das histórias femininas que ali encontramos. De papel fundamental perante a lei judaica, é a mulher que transmite a descendência.
A Bíblia hebraica traz personagens femininos fortes e decididos. São mulheres inteligentes e corajosas, assim como as que fazem parte desta exposição: a premiada escultora Felícia Leirner, que tem um conjunto de obras em Campos do Jordão; a pesquisadora Frieda Wolff, autora de mais de 40 livros, cujo trabalho aborda a história da comunidade judaica no Brasil; a atriz Daniella Weil Stransky, com carreira no Brasil e Panamá, contada por meio de documentos doados que representam, ainda, a história de sua família; a jornalista Berta Kogan, idealizadora da revista Brasil-Israel, publicada de 1949 a 1992, e a escritora Trudi Landau, que iniciou sua trajetória enviando cartas aos jornais, revelando-se uma bem humorada cronista.
Pela primeira vez, montamos uma exposição que já nasce virtual.
jornalismo
Iedenitze, Moldávia, 1912
São Paulo, Brasil, 1997
Berta conta que quando o navio se aproximou da costa brasileira, ela disse: “Era um sonho que vivi, porque desde menina, sonhava com um país que tivesse sol.”
Berta Kogan veio da Bessarábia, atual Moldávia, para o Brasil em 1921, fugindo da perseguição aos judeus. Da travessia que durou três meses, relatou as péssimas condições. Quando o navio se aproximou da costa brasileira, disse: “… sonhava com um país que tivesse sol”. Aos poucos, ela e sua família se integraram ao novo lar. Ainda que recorde de ataques de xenofobia sofridos durante o Estado Novo: “Estava em uma fila, aguardando um ônibus e, diante da demora, ouvi: É culpa dos judeus, que ocuparam Copacabana”. Após a Segunda Guerra e com a criação do Estado de Israel, Berta realizou seu maior desejo – a fim de propagar o ideal socialista e sionista – e fundou a histórica revista Brasil-Israel, publicada ao longo de quatro décadas.
teatro
São Paulo, Brasil, 1932
“Eu deixei uma mostra de que eu não passei pela vida sem ter existido.”
Daniella é filha do casal francês Rene Weil e Suzanne Wormser. Quando sua mãe chegou ao Brasil, dava aulas de canto e, anos depois, abriu uma escola de música. A filha, então, se encaminhou para o universo das artes, dedicando-se a cursos de canto e ballet. Mais tarde, frequentou a Escola de Sociologia e Política e também a Escola de Arte Dramática. Formada, contracenou com atores como Walmor Chagas e Ítalo Rossi e foi dirigida por Procópio Ferreira. Com o casamento, foi morar no Panamá, onde reside ainda hoje, consolidando sua carreira de atriz, com mais de 60 peças teatrais.
artes plásticas
Varsóvia, Polônia, 1904
São Paulo, Brasil, 1996
“O barro responde às nossas mãos, melhor ainda, à nossa imaginação.”
Com o avanço do antissemitismo na Polônia, Felícia veio para o Brasil em 1927. Em 1948, descobriu a arte como missão de vida, tornando-se aluna de Victor Brecheret, com quem participou de vários projetos, incluindo o Monumento às Bandeiras. Em 1953, a artista se considerava pronta para expor, envolvendo-se intensamente com as Bienais. Em 1963, recebeu o prêmio de melhor escultora do Brasil e, em 1965, mereceu uma sala especial na Bienal. De 1967 a 1973, destacou-se com obras de grande porte. Com a morte do marido, a artista se isolou em Campos de Jordão, cidade que abriga o Museu Felícia Leirner, inaugurado em 1979 e onde estão reunidas 85 de suas obras, distribuídas ao ar livre em uma área de 35 mil metros quadrados.
pesquisa histórica
Berlim, Alemanha, 1911
Rio de Janeiro, Brasil, 2008
“Eu, hoje, historiadora e genealogista de outros, não sei nada de minha ascendência.”
Com o avanço do antissemitismo na Polônia, Felícia veio para o Brasil em 1927. Em 1948, descobriu a arte como missão de vida, tornando-se aluna de Victor Brecheret, com quem participou de vários projetos, incluindo o Monumento às Bandeiras. Em 1953, a artista se considerava pronta para expor, envolvendo-se intensamente com as Bienais. Em 1963, recebeu o prêmio de melhor escultora do Brasil e, em 1965, mereceu uma sala especial na Bienal. De 1967 a 1973, destacou-se com obras de grande porte. Com a morte do marido, a artista se isolou em Campos de Jordão, cidade que abriga o Museu Felícia Leirner, inaugurado em 1979 e onde estão reunidas 85 de suas obras, distribuídas ao ar livre em uma área de 35 mil metros quadrados.
crônica
Colônia, Alemanha, 1920
São Paulo, Brasil, 2015
Trudi começava assim as suas quase 500 cartas escritas para Carlos Drummond de Andrade: “Meu querido Carlinhos, …”
Gertrude Landau, Trudi, passou a infância em Opladen, cidade com poucos judeus na Alemanha. Durante a 2ª Guerra Mundial, conheceu Jean Landau, em Nice, com quem casou e veio para o Brasil, grávida, em 1945. Em São Paulo, trabalhou como secretária multilíngue até 1973, quando perdeu seu único filho. Por gostar de escrever, passou a enviar cartas aos jornais e também para escritores com quem mantinha uma “amizade postal”. Entre eles, Carlos Drummond de Andrade, para quem chegou a enviar cerca de 500 cartas, as quais se encontram atualmente no acervo do Centro de Memória do Museu Judaico de São Paulo. Também foi colunista no Notícias Populares, destacando-se como ativista de direitos humanos, em especial no episódio do assassinato do jornalista Vladimir Herzog.
“Nenhum judeu pode festejar as tradições com alegria, sabendo que seu irmão não possui o mínimo para sobreviver.”
Com a chegada dos judeus ao Brasil, foram criadas instituições para auxiliar no processo de sua adaptação.
Sociedade Beneficente das Damas Israelitas [1915] Prestava auxílio na gravidez e no parto e assistência às imigrantes. Em 1931, Berta Klabin, Miná Klabin, Olga Nebel, Olga Tabacow e Regina Bertmann, diretoras da instituição, revezavam-se no atendimento. Ao longo dos anos 1930, Mari Nigri, Bahie Sayeg, Naime Simantob e Badrie Zeitune passaram a auxiliar os necessitados, seguindo o princípio de que “Nenhum judeu pode festejar as tradições com alegria, sabendo que seu irmão não possui o mínimo para sobreviver”. Já na década de 1950, Jamile Derviche, que tinha formação em enfermagem, assumiu a presidência e, por muitos anos, exerceu o trabalho voluntário com o apoio de Linda Nigri, Nazira Adissy, Laura Nigri e Sofia Mansur.
Organização Feminina Israelita de Assistência Social [Ofidas, 1940] A fusão da Sociedade Beneficente das Damas Israelitas ao Lar da Criança Israelita e à Gota de Leite da Associação B’nai B’rith resultou na Ofidas, para auxiliar mulheres e crianças. A instituição mantinha vínculos com o Serviço Social do Estado e o Juizado de Menores. Em 1976, a Ofidas uniu-se a Ezra e a Linath Hatzedek, formando a Unibes.
Sociedade Beneficente Linat Hatzedek [1919] Realizava atendimentos ambulatoriais e pequenas cirurgias.
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Talmud Thorá [1933] Visava à educação infantil e aos serviços religiosos.
Lar das Crianças da Congregação Israelita Paulista [1937] Em regime de semi-internato, atendia os filhos de imigrantes judeus.
Organização Feminina Wizo (Women’s Internacional Zionist Organization, 1920) [década de 1930] Integra uma parcela da sociedade à comunidade maior.
Organização das Mulheres Pioneiras – Na’amat [1948] Contribui para valorizar a mulher e preservar as tradições judaico-sionistas.
Voluntariado do Hospital Israelita Albert Einstein [1969] Promove transformação social, geração de conhecimento e humanização.
União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social – Unibes [1976] Junção de Ofidas, Ezra e Policlínicas Linat Hatzedeck, auxilia pessoas em situação de vulnerabilidade.
CENTRO DE MEMÓRIA
DO MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO
DIRETORIA EXECUTIVA:
Roberta Sundfeld
GERÊNCIA DO CENTRO DE MEMÓRIA:
Linda Derviche Blaj
CURADORIA:
Beatriz Blay
PESQUISA:
Dora Grynglas, Edith Hojda, Linda Derviche Blaj, Paulete Goldenberg, Pollyana Marin e Rebeca Scherer
EDIÇÃO DE TEXTO:
Yara Guerchenzon
DIGITALIZAÇÃO:
Julia Thompson
DESIGN:
Rima gráfica – Rita Sepulveda de Faria e Marina Zilbersztejn
PROGRAMAÇÃO:
Aline Assis
APOIO:

