Jornada Susan Sontag

Jornada Susan Sontag: de olhos bem abertos

curadoria de Gabriela Longman

Intelectual. Mulher. Norte-americana. Judia. Bissexual. As etiquetas se conjugam de diferentes maneiras para definir uma das figuras centrais do pensamento crítico no século 20. Ao mesmo tempo, Sontag foi aquela que rejeitou categoricamente os rótulos. O singular e o universal lhe interessavam mais.

 

Ensaísta. Romancista. Dramaturga. Cineasta. Ativista. Com admiradores em diferentes gerações, sua figura polivalente serve até hoje como modelo da intelectual voraz que recusava as amarras do ambiente acadêmico para operar no trânsito entre a imprensa, as editoras e o meio artístico e cultural. 

Inquieta ao limite, visitou Hanói e Havana em 1968. Filmou Israel em 1973.  

 

Montou “Esperando Godot” nas ruínas de Sarajevo em durante a Guerra da Bósnia. Frequentou a Factory de Andy Warhol e escreveu um dos primeiros ensaios em língua inglesa sobre Machado de Assis.  “O que me faz sentir forte?”, se pergunta numa entrada do seu diário, dando em seguida a resposta: “Estar apaixonada e trabalhar”. 

 

Nos dias 8 e 15 de agosto de 2026, o Museu Judaico de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade abrem as portas para pensar o legado de Sontag a partir de diferentes perspectivas – da literatura aos direitos civis, passando pela questão da imagem fotográfica – e a partir de novas chaves de leitura e dos desafios trazidos pelo século 21. 

 

Gabriela Longman

programação

      Todas as mesas contam com intérprete em Libras.

08 de agosto
Museu Judaico de São Paulo

10h

Abertura e mesa
A ESCRITA COMO “VONTADE RADICAL”

com Gabriela Longman,
Paulo Roberto Pires e
Ligia Gonçalves Diniz

retire seu ingresso

Em Sob o Signo de Saturno (1980), Sontag analisa a vida e obra de Walter Benjamin para definir a figura do intelectual avesso aos atalhos e rigorosamente comprometido com a complexidade do mundo. Décadas depois, em que medida a própria Sontag representa hoje esses ideais e nos ajuda a decifrar um presente marcado pela saturação de imagens, fake news e guerras?

Para Sontag, escrever nunca foi um ato neutro ou um simples exercício de comunicação, mas sim uma forma de estar no mundo marcada pela atenção obstinada, pela disciplina estética e pela tomada de posições diante do mundo. Puxando fios distintintos, dois críticos literários nos conduzem, de um lado, pela contundência de sua escrita ensaística, de outro, pela complexidade de sua figura dentro dos movimentos feminista das décadas de 1960 e 1970.

 

A arte do ensaio: os 60 anos de ‘Contra a interpretação’
Paulo Roberto Pires

 

Apaixonada, moralista e esteta: Sontag e a crítica feminista
Lígia Gonçalves Diniz

Gabriela Longman é curadora, editora e jornalista, é mestre em História da Cultura pela EHESS-Paris e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. Foi repórter na Folha de S.Paulo e já desenvolveu projetos e coordenou equipes para instituições como Sesc-SP, Flip e Fundação Bienal de São Paulo. Foi curadora da exposição “Ale Ruaro: Sob o Céu Sobre o Chão” na Biblioteca Mário de Andrade (2024) e “Debret em Questão” (Maison de L’Amérique, Paris/ Museu do Ipiranga). É autora de “Labirintos do Olhar” (ed. Bei, 2016), colaboradora da Folha de S.Paulo, Elle, Vogue, Gama, entre outros veículos.

Paulo Roberto Pires é jornalista e editor. Professor da Escola de Comunicação da UFRJ, é doutor em Literatura Comparada pela mesma universidade. Organizou as obras reunidas de Torquato Neto, Torquatália (2004), e a antologia 12 ensaios sobre o ensaio (2018). É autor dos perfis biográficos Hélio Pellegrino – A paixão indignada (1998) e A marca do Z – A vida e os tempos do editor Jorge Zahar (2017), dos romances Do amor ausente (2000) e Se um de nós dois morrer (2011) e dos ensaios Diante do fascismo – Crônicas de um país à beira do abismo (2022). Colunista da Quatro Cinco Um, é editor da serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles.

Ligia Gonçalves Diniz é professora de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais. Além disso, atua como crítica literária no jornal Folha de S.Paulo e nas revistas Quatro Cinco Um e Cult. É autora dos livros O homem não existe (Zahar, 2024) e Imaginação como presença (Editora UFPR).

14h – 16h 

EXCESSO, ARTIFÍCIO, METÁFORA

com Renan Quinalha,
Ana Rüsche e
Daniele Queiroz

retire seu ingresso

Da subversão estética do “camp” à ética da representação fotográfica, passando pela escrita como espaço de elaboração para a doença. Sontag foi aquela que dissecou o funcionamento de uma sociedade pautada pela imagem, pelo artifício e refletiu profundamente sobre o uso da metáfora. Costurando vozes e expertises, especialistas em fotografia e direitos humanos revisitam alguns de textos fundamentais enquanto uma escritora conta como encontrou em Sontag uma das fontes principais para seu romance.  

 

Desejos entre aspas: Sontag e a revolução Camp
Renan Quinalha 


Conselhos de escrita sobre o luto e sobre a amizade
Ana Rüsche

 

Sobre a fotografia, ainda
Daniele Queiroz

Professor de Direito (Instituições Judiciais e Cidadania) da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Professor Permanente do Mestrado em Relações Internacionais – Estudos do Sul Global na Unifesp. Coordenador do Núcleo TransUnifesp (2023 – 2025). Presidente do Grupo de Trabalho de Memória e Verdade LGBTQIA+ do Ministério de Direitos Humanos do Brasil. Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Doutor em Relação Internacionais na Universidade de São Paulo (IRI – USP). Mestre em Teoria Geral e Filosofia do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). Graduado em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (FDUSP). Presidente do Conselho de Administração do Núcleo de Preservação da Memória. Foi assessor jurídico da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e consultor da Comissão Nacional da Verdade para assuntos de gênero e sexualidade. Tem engajamento no ativismo LGBT, escreve regularmente para grandes veículos na imprensa (Folha de SP, O Globo, Revista CULT).

Daniele Queiroz é mestre em Representações e Imaginários pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde também se graduou. É curadora-assistente no departamento de Fotografia Contemporânea no Instituto Moreira Salles e fundadora do projeto “A história é outra”, plataforma que abarca estudos curatoriais e práticas artísticas no campo da fotografia, olhando para corpos dissidentes excluídos da historiografia oficial.

Ana Rüsche (São Paulo, 1979) é escritora e pesquisadora. Seus últimos livros são o romance “Carga viva” (Rocco, 2025) e os livros de crítica “Quimeras do agora: Literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno” (Bandeirola, 2025) e “Inesquecíveis: quatro séculos de poetas brasileiras” (Bazar do Tempo, 2026, coautoria com Lubi Prates). Concluiu o Pós-Doutorado na Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) sobre literatura e crise climática. É professora substituta na Universidade de Brasília (UnB), na Teoria Literária. Foi publicada na China, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, Itália e México. Mantém a newsletter Anacronista.

15 de agosto
Biblioteca Mário de Andrade

As mesas na Biblioteca Mário de Andrade possuem entrada livre, sem necessidade de ingressos e mediante ocupação do local.

10h – 13h

 SONTAG: TESTEMUNHA DO SÉCULO 20

Com Flavia Marreiro,
Simonetta Persichetti e
Leão Serva

Sontag foi tudo menos uma intelectual reclusa.  Visitou Hanoi em 1968. Filmou em Israel em 1973. Montou “Esperando Godot” nas ruínas de Sarajevo. Foi júri do festival de cinema de Veneza. As viagens fazem parte de sua atividade intelectual e seus escritos costuram análise dos acontecimentos políticos (guerras, revoluções, insurgências) com a análise da representação (imagens, textos, discursos). Abrimos o segundo dia das jornadas procurando pensar a figura de uma intelectual que vai a campo.  

 

Cuba e Vietnã. Sontag em meio à guerra fria 

Flavia Marreiro

 

A cultura da imagem em Sontag

Simonetta Persichetti 

 

Susan, Sarajevo e as imagens de guerra

Leão Serva

Flávia Marreiro é jornalista e chefe do escritório da BBC News Brasil em São Paulo. Anteriormente, foi editora-chefe do serviço brasileiro da Reuters e do El País Brasil. Especialista em política internacional, com ênfase na América Latina, foi correspondente da Folha de S.Paulo em Caracas, acompanhando de perto a política venezuelana e os principais acontecimentos da região.

Simonetta Persichetti é jornalista, crítica de fotografia e curadora. Possui graduação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (1979), mestrado em Comunicação e Artes pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1995) e doutorado em Psicologia (Psicologia Social) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001), é Pós-Doutora pela Escola de Comunicação e Artes, USP (2017). Publicou os livros Imagens da Fotografia Brasileira I (1997) Imagens da Fotografia Brasileira II (2000). É colaboradora do projeto e da revista Mulheres Luz, e membro do Conselho Editorial da revista ArteBrasileiros. Ganhadora do Prêmio Jabuti de Reportagem 1999. E o 1. Lugar na categoriade jornalista 2008/2009 do Melhor da Fotografia Clix.

Leão Serva é jornalista, pesquisador e professor, doutor e mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com pesquisa de pós-doutorado em Antropologia na Universidade de São Paulo (USP). É autor de diversos livros sobre jornalismo, fotografia e conflitos internacionais, entre eles A Batalha de Sarajevo, A Fórmula da Emoção na Fotografia de Guerra e Jornalismo e Desinformação. Entrevistou Susan Sontag durante a Guerra da Bósnia e dedica-se há décadas à pesquisa sobre fotografia de guerra, imprensa e a ex-Iugoslávia, temas sobre os quais ministra palestras e participa regularmente de seminários nacionais e internacionais. Atualmente desenvolve pesquisas sobre fotografia, povos indígenas e cultura visual, conciliando produção acadêmica, jornalística e editorial.

14h30 – 16h

PROCESSO ABERTO:
“ESPERANDO EM SARAJEVO”

Com Gabriela Longman e
Nicole Cordery

Com estreia prevista para final de 2026 / início de 2027, o monólogo teatral “Susan Sontag: Esperando em Sarajevo” recupera um dos episódios mais marcantes da vida de Sontag: a direção de uma montagem de “Esperando Godot”, de Beckett, em plena Sarajevo sitiada (1993). Falando publicamente do projeto pela primeira vez, a autora do texto, a diretora e a atriz do espetáculo compartilham suas pesquisas e inquietações preliminares.

Nicole Cordery é uma atriz carioca formada pela CAL/RJ, trabalhou por 6 anos no Grupo TAPA (SP) e cursou a Ecole Jacques Lecoq (Paris). Atuou nas séries Pedro e Bianca (Cultura), De Volta aos 15 Netflix), Segunda Chamada (Globoplay), Sintonia (Netflix), Autoposto (Paramonth), Dom (Amazon). Nos longas Do Lado de Fora (Alexandre Carvalho), Biônicos (Afonso Poyart), Cyclone (Flávia Castro), Herança Canibal (Fernando Sanches). Seu último trabalho no áudio visual foi o longa Se não eu quem vai fazer você feliz? (direção Hugo Prata). No teatro atuou em várias peças como Dissecar uma Nevasca (indicada ao APCA de Melhor Atriz, Chernobyl (Melhor Elenco, Aplauso Brasil), Ato a Quatro (Melhor Atriz, Aplauso Brasil). O curta metragem que produziu e atuou, Algo Sobe Ilda foi selecionado para mais de 40 festivais internacionais e ganhou 20 prêmios, dentre eles Melhor Atriz no 4° Future of Film Awards – Macedônia e no Festival de Cinema de Jaraguá do Sul – 7° edição.